sexta-feira, 18 de maio de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Os Caçadores Sombrios


Senhores de Castelo contra Caçadores Sombrios:
Primeiro confronto
Informe do Multiverso



Começando transmissão...

            –Rhu’ia! Senhores de Castelo! Depois de um grande esforço de nossos laboratórios em recuperar os arquivos danificados, finalmente podemos transmiti-los. A luta contra os Caçadores Sombrios fora ferrenha, tivemos perdas irreparáveis, mas cumprimos nossa missão. Aqui é Fentáziz do Informe do Multiverso.
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Câmera 1 – Suit do Castelar Mapeador, entrada no continente tubular.

            –Como você sabia que dava para ligar a máquina de distorção nesses tubos gigantes? – Perguntou o Capitão.
            –Foi um palpite, os tubos estão plenamente fechados, provavelmente para manter os ecossistemas em equilíbrio. Não foi difícil deduzir o resto. A porta é também uma grande armadilha... Genial! – Disse o Mapeador, ainda com ar de entusiasmo.
            –... – O Capitão fez uma cara estranha, já que não entendia muito bem dessas coisas.
            Dentro do tubo continental, realmente era possível se sentir como se estivesse em um planeta, onde o ar era fresco e o vento soprava. Havia áreas de mata incríveis, muito bem cuidadas, com diversos tipos de árvores. As rochas eram ricas em limo e musgo, sugerindo temperaturas ideais para a vida. Porém, não havia tempo a perder, havia um Senhor de Castelo a ser resgatado!

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Câmera 2 – Suit do Castelar náufrago.

            –(Puf, puf) – O Senhor de Castelo arfafa constante, os níveis de oxigênio já estavam no limite. – Onde eles estão!
            –La... La... La... La... – Fazia alguém ao fundo.
            –Droga! Já estou quase no meio desse negócio e ele ainda não desistiu! – O Senhor de Castelo virou-se e liberou uma rajada de maru elétrica para trás, explodindo em qualquer lugar e levantando grande poeira.
            –Vamos brincar? – Perguntou uma criança que sorria na sua frente, vestida com roupas de marinheiro azuis e brancas que carregava uma esfera amarela nas mãos.
            –Merda! – Gritou o castelar que saiu correndo.
            Infelizmente, era um pouco tarde demais, o alcance dos poderes do caçador pegaram o seu braço, onde ele segurava o cetro com uma jóia de maru azul. O braço e o cetro foram brutalmente destroçados, como se fossem feitos de papel sendo revirados e torcidos. O grito do castelar repercutiu por todos os lados. Ouvindo, o grupo de resgate não tardou em usar a propulsão para chegar mais rápido.
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Câmera 1

            Finalmente, o encontro dos castelares com o caçador:
            –...? – O Capitão estranhou ver aquela criança tão gentil na sua frente que sorria docemente.
            –FUJAM!!! – Gritava o castelar ferido. – Se vocês entrarem no alcance dele vocês irão morrer!!!
            A esfera do garoto brilhou com mais intensidade:
            –Mais gente pra brincar, que bom! – O caçador sorriu e lançou um campo de distorção que visivelmente alterou a imagem que se formava ao seu redor.
            Dois dos castelares comandados pelo Capitão tentaram usar seus escudos de retenção. Fora em vão, o poder do caçador destroçou os dois com grande facilidade. O Capitão sentiu imenso desprazer e começou a usar as armas de sua supersuit que surgiam da jóia no pescoço conforme sua vontade:
            –Tome isso seu desgraçado!!! – Três mísseis foram lançados.
            –...! – O garoto sorriu de alegria, virando levemente a cabeça sobre a esfera, desviando os mísseis de direção, causando grandes explosões dos lados. Nem mesmo a poeira chegava perto dele...
            –Mas que droga?! – Berrou o Capitão perdendo a paciência e mirando novamente na criança.
            –Pare Capitão! – Intercedeu o Mapeador. – Você pode atingir justamente quem viemos buscar.
            –...!!! – A raiva do Capitão transbordava sem poder ser colocada pra fora.
            Nisso, outra dupla dos castelares subordinados fizeram um sinal entre si. Colocaram as mãos no chão e lançaram um feitiço sobre as rochas, que se levantaram para o alto, separando o caçador de sua presa. Os outros dois restantes usaram um dispositivo de suas suits e aumentaram suas velocidades. Enquanto o caçador viria para frente, eles iriam ao encalço do castelar ferido. O ataque dera certo, não fosse o caçador usar aquela grande porção de rocha para atacar o grupo de resgate. Conseguiram chegar até o castelar, agora era preciso tirar ele daquele lugar:
            –Não gostei disso! – Disse o caçador com tom mimado e rebelde.
            –Ah, não vai não! – O Capitão jogou uma granada potente na grande rocha que rachou em vários pedaços, desviando o ataque dos alvos.

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Câmera 2

            –Vocês... Vocês... – O castelar ferido tentava falar, mas por causa da dor e do cansaço, não conseguia.
            –Não fale... Você está cansado. – Acudiu um dos Senhores de Castelo que veio ajudá-lo e tentava aplicar-lhe alguma maru curativa.
            –Tem... Tem outro!
            –O quê?! – Os outros dois olharam para trás e foram pegos pelo capacete por manoplas enormes que os ergueram no ar.
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Câmera 3 – Supersuit do Capitão.

            Do outro lado, a poeira baixava, revelando que a criança estava com grande raiva e desgosto. Começando a quicar sua esfera no chão compassadamente, fez tremer todo o plano tubular:
            –Não quero mais brincar!
            Os dois subordinados que estavam à frente do Capitão se desequilibraram com os tremores e caíram no chão. A esfera flutuou com rapidez na direção deles, acertando em cheio o peito de cada um, um após o outro. Vieram a óbito instantaneamente:
            –Não! Seu miserável! – O Capitão sacou um arma de feixe de maru, ainda era experimental e sugaria toda a energia de sua supersuit, não teve dúvida e atirou. – Você me paga!
            O feixe amarelo acertou em cheio, levantando nuvens amarelas até o alto:
            –Mas o quê?! – O Mapeador olhou mais atentamente, o que o Capitão acertara fora outra coisa.
            –Não, não, não! Isso não pode estar acontecendo! – Gritava o Capitão, desesperado.
            Não havia dúvida, à sua frente pairavam os corpos dos dois últimos castelares subordinados, completamente obliterados, sumindo no ar. O que os estava carregando eram manoplas, as luvas de ferro de uma armadura que começava a surgir por detrás do garoto, revelando um ser gigante, metálico, escuro, com labaredas de maru sombria saindo pelas junções, como uma grande sombra:
            –Que poder! – Disse a armadura com tom medonho e lento. – Devem tomar mais cuidado quando usarem isso, quase acertaram o meu filho...
            –Quem é você?! Porque está nos caçando?! – Gritou o Mapeador, enquanto o Capitão estava atônito.
            –Eu sou o Cavaleiro Fantasma e este é meu filho Xerubim, o anjo da distorção. Somos caçadores sombrios, caçamos Senhores de Castelo para o Mestre!
            –Se é assim... – O Mapeador abriu e tirou sua suit, colocando-a de volta na jóia de seu bracelete.
            –Mapeador, o que está fazendo?! – Perguntou o Capitão, que recebeu o bracelete do companheiro em mãos.
            –Este é o dia de bravura, meu amigo... – A energia da supersuit do Capitão foi restaurada. – Você precisa ser forte e levar o Senhor de Castelo ferido daqui.
            O Capitão estava receoso de ouvir aquelas palavras, sabia que um dia as ouviria mais cedo ou mais tarde, preferia que ele mesmo as dissesse, mas o sorriso no rosto do Mapeador era a prova final de sua decisão:
            –Meu nome é Zeni, não se esqueça, eu nasci em Oririn, me tornei um grande Mapeador do multiverso, e vivi todos os dias de minha vida para este dia... – O Mapeador queria dizer algo mais, mas aquilo bastava.
            –Meu nome é Kennibo, nasci no planeta Muan, não se esqueça de mim, amigo...
            O Capitão do atravessador Linx nunca gostou de dizer seu nome, se quisesse ser respeitado em sua nave, deveria ser chamado assim, esquecendo do próprio nome. Sempre lutou para conseguir o sucesso em suas missões, nunca se esquecendo de seus subalternos, ficando imensamente deprimido quando perdia algum. O sonho que herdara do pai o perturbava, noite após noite, para que ele fosse em frente, continuasse sendo um grande capitão dos altos-fluxos boreais e fosse escolhido para um momento como aquele em que encontrasse a estrela escura. Os dois Senhores de Castelo fizeram um sinal positivo entre si e partiram para o ataque.
            Os poderes de Zeni podiam invocar seres de qualquer lugar do multiverso, desde que ele soubessem onde eles estavam, e poderia controlá-los para o ataque. No entanto, esse poder era maldito, era necessário sacrifícios para que a invocação tivesse sucesso. Poucas foram as vezes em que ele usou o poder, não passando do nível um ou dois, trazendo ao seu controle grandes feras, com garras, asas ou carapaças que lhe fossem úteis. Teria que passar uma semana ou um mês sem viajar pelo multiverso por causa do alto consumo de energia. Ficar acordado sem viajar já lhe era bastante tedioso. Foi então que conheceu o Capitão do atravessador Linx, que prometida revolucionar as viagens pelo multiverso, indo além dos limites conhecidos. Esse era seu maior sonho...
            –É agora! – Disse o Mapeador.
            –Sim! – O Capitão se ergueu, jogou algumas granadas paralisantes e atravessou para o outro lado com velocidade superior a dos subordinados.
            –INVOCAÇÃO!!! – O Mapeador ativou seu poder com um círculo de maru amarela, trazendo a tona o construidor das passagens entre mundos, o verme boreal!
            Este ser estranho não possui forma definida, apesar de alongado como um serpente. Suas cores variam, sendo possível ver através dele. Seu maior poder é rasgar o espaço e suas habilidades constam de absorver maru e ser imunes a diversos ataques, inclusive os poderes de distorção espacial. Para invocá-lo, é necessário o sacrifico da própria vida. Zeni tinha plena consciência disso...
Com o castelar ferido nas costas, o Capitão foi em direção a saída. Olhando para trás, viu as costas do amigo, que utilizava o verme boreal sem hesitar. Para os grandes heróis não era preciso mais palavras...

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Câmera 3 – Supersuit do Capitão, dentro da nave boreal Linx.

            –Capitão?! – Disse um dos imediatos surpreso.
            –Toda potência a frente! – Bradou.
            –Sim!
O imediato tinha certeza, por tantas vezes viu o Capitão permanecer crente da melhor possibilidade quando ninguém mais tinha esperança. Se o Capitão não falou para esperar, era porque mais ninguém viria abordo.
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Câmera 4 – Visor do Linx.

            Após atravessar o contrafluxo da arrebentação, aquela região dos mares boreais que era tão turbulenta e perigosa, não estava mais acessível, era como se houvesse um buraco naquele lugar onde havia o primeiro oceano boreal conhecido...
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Transmissão interina encerrada...