terça-feira, 12 de junho de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Fanzine - Os Caçadores Sombrios


Luta e Sobrevivência


            Rigaht havia ficado louco, invocou um dos mais terríveis monstros já conhecidos: o Gaiagon. Apesar de aquela ser uma forma infante e incompleta, seu tremendo poder danificou seriamente as estruturas da árvore de aço, abrindo um rombo na construção. Lutar contra aquele devorador estava fora de questão...
            As duplas se separaram durante a fuga, caminhando por caminhos diferentes rumo ao topo. Thagir havia conseguido atirar no Nogaiag, o que surtiu grande efeito, fazendo-o cair, deixando-a ferida e raivosa na base da árvore. Descer não era mais opcional...
            Kullat pode proteger o amigo com seu poder de maru mágica que os envolveu, protegendo-os do ataque iminente. Infelizmente, o castelar branco fora seriamente ferido, perdendo muito sangue. O pistoleiro conseguiu estancar o sangramento com alguma erva mágica que lhe restava e pôs se a levar o amigo nas costas, subindo pela árvore, mesmo estando num estado tão pior quanto aquele – devia ter alguma costela quebrada, várias escoriações, os ouvidos não ouviam bem. Era como se ele fosse apenas uma máquina agora, agindo por impulso, andando apenas para tentar garantir a sobrevivência daqueles que amava. Não havia como pensar no futuro, no passado, ou no presente, sua única necessidade era para com a espada do infinito.
A mais de três mil metros de altura, a vibração da espada do infinito já podia ser sentida, um alento para um guerreiro cansado. Subindo o próximo lance de escadas, Thagir viu uma porta, disparou contra ela sua última munição e atravessou-a. Diante dele, o último andar, o topo da árvore de aço, um imenso chão de mais de um milhão de metros quadrados. Atrás dele um parapeito que dava para uma queda de morte certa, diante dele, no alto, uma esfera de energia quente e suave que brilhava como uma estrela e do lado oposto a porta por onde saíra havia outra porta. Não tinha certeza se conseguia ver direito, mas era o que parecia, ela estava aberta e, fraco como estava, poderia ser alvo fácil para os Caçadores. Thagir sorriu um pouco, lembrou-se do que o inimigo havia dito: “Ordem dos Caçadores Sombrios, imagine isso, uma ordem que não a dos Senhores de Castelo!”, pensava ele consigo. Ele olhou para Kullat que continuava dormindo, inconsciente daquela visão de um céu estrelado – ou que imitasse um – com uma estrela tão perto deles. Thagir levantou outra vez o amigo nos ombros e continuou andando, ainda havia um longo pedaço de chão para chegar ao centro do lugar.
Subitamente ele sentiu o chão tremer, estava atento para qualquer coisa que acontecesse e sentiu se levemente estranho quando o tremor parou. Olhou para cima e percebeu o que tinha acontecido, mais um andar tinha sido integrado à árvore de aço, deixando a espada do infinito mais próxima. Dando mais um passo, finalmente os adversários apareceram:
            –Hunhun... – Fez Rigaht caminhando uns poucos passos na direção dos Senhores de Castelo. – Vocês não têm uma proteção tão eficiente contra o Nogaiag... Provavelmente do seu lado do multiverso, vocês nem sabem onde eles estão!
            Os olhos do caçador estavam diferentes, muito mais distorcidos e loucos que antes. Thagir também havia notado outra coisa, que o caçador havia se apresentado sozinho e indagou:
            –Onde está o seu companheiro? Porque ele não aparece? Estou desarmado... – E pôs Kullat no chão para mostrar o consentimento.
            –Você realmente quer saber? – Seu sorriso malicioso se completava com o olhar demente. – Ele está bem aqui!
            O caçador se virou e Thagir pode ver que aquilo estava passando dos limites:
            –Isso é impossível!!! Como?!
            –Muito simples... Este é o efeito daquela droga! Hahaha... – A sanidade o abandonara completamente.
            Aquela cena era difícil de entender:
–Por que vocês fariam uma coisa dessas, juntar os dois corpos num só? – Perguntou Thagir.
–Somos mais poderosos assim... Veja! – O novo ser usava as manoplas de Droj, os braceletes das jóias de Rakardnal, o olho de Rudaht e trouxe para si o centro gravitacional de Droj que o orbitava, arremessando-o por cima dos outros prédios do labirinto.
A força era descomunal, nenhum dos enormes prédios resistia a toda aquela força combinada. Thagir não sabia o que fazer, deveria esperar pelo pior? Morrer com honra? Perder tudo contra uma aberração daquelas? Ele ficou parado, sem fazer nada, buscando em si alguma força que pudesse fazer sentido:
–Não está surpreso?! Espere para ver o que vou fazer com vocês! – O monstro caçador começou a caminhar na direção dos dois, rachando o chão ao seu redor, retorcendo os metais.
Naquele momento, Thagir só conseguia se lembrar do pai, daquele momento em que fora salvo do monstro do armário, vendo aquela imagem com perfeição. Sentia-se como se o rei Primir estivesse lhe dando algo como presente. A jóia de Landrakar reagiu a esse sentimento e liberou algo que estava travado nela há muito tempo:
–Este é... O canhão de potência! – Thagir estava maravilhado com a imagem daquela bela arma se materializando em seu braço que tinha uma pequena inscrição: Para meu filho. – Obrigado pai...
Com lágrimas nos olhos o pistoleiro levantou o canhão pesado e ativou a mira automática que logo que estava com carga máxima disparou contra o monstro. Seus poderes psíquicos desviaram o raio, evitando o choque, no entanto, ele foi arrastado uns dez metros. O monstro caçador bufava e transpirava indignação, estourando todo o chão ao seu redor que logo seria arremessado contra o Senhor de Castelo:
–Sabe o que eu mais adoro nessa belezinha? Ela recarrega muito rápido! – E disparou o segundo tiro que ultrapassou os pedaços de metal e novamente repelido pelo mutante que foi jogado para trás mais vinte metros.
–Otidlam!!! – O centro de gravidade parou no meio do ar e caiu no chão, o poder do caçador sobre ele havia cessado. – Argh!!! Ah!!! Hugh!!!
O caçador estava se contorcendo em dor, depois de ter usado tanto poder a mutação que unia os dois caçadores estava se tornando instável. Como Rigaht era a consciência dominante, era ele quem sofria mais, os circuitos internos que faziam parte das próteses eletrônicas de Talluk estavam sendo rejeitadas. A criatura vomitava os próprio órgãos. Thagir se preparou e disparou o terceiro tiro que fez a criatura voar uns duzentos metros para trás:
–Você não vai conseguir me derrotar... – O rosto do caçador se contorcia de diversas formas. – Oãrecelaverp serodaçac so!!!
–Você perdeu a luta quando quis tomar aquela droga... – E Thagir disparou o tiro final.
A criatura conseguiu se defender mais uma vez, sendo arrastada até a beirada da árvore, ficando dependurada. Ela tentava se segurando aqui e ali, porém, seus braços perdiam a rigidez e escorregavam. Lá em baixo, tremores repercutiam por toda a árvore, fazendo Thagir sorrir pelo canto da boca:
–Acho que o seu bichinho está com fome...
Mais um tremor e a criatura disforme despencou os mais de três quilômetros de altura direto na boca do faminto Nogaiag. Thagir relaxou, ajoelhando-se sobre as pernas e olhou para a jóia de Landrakar:
–Então era por isso que o limite dessa jóia era tão inferior a minha... – Kullat começou a acordar. – Kullat, você está bem?
–Acho que sim... – O castelar branco se levantava com a mão na cabeça.
–Meu amigo, nós conseguimos... – Thagir sorria aliviado.
Com os dois guerreiros de Curanaã e Oririn juntos, a espada do infinito reconheceu a sua vitória e desceu para perto deles. Ela mantinha grande intensidade luminosa e vibrações revigorantes que trouxeram de volta a força e o vigor dos Senhores de Castelo. Sua forma eram dois longos filetes de metal prateado puro e polido, refletindo a imagem ao seu redor como um espelho, e se entrelaçavam em espirais na empunhadura:
–Agora só nos falta encontrar o verdadeiro Mestre Caçador...

...

Transmissão continua...