quinta-feira, 14 de junho de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Fanzine - Os Caçadores Sombrios


Dia de Bravura



            “De todos os treze dias de desafios que um aprendiz deve enfrentar para se tornar um Senhor de Castelo, nenhum é mais simbólico do que o Dia de Bravura. Este dia foi feito para separar pessoas comuns dos verdadeiros heróis, pois é neste dia que você tem que escolher entre uma vida livre ou a responsabilidade de arcar com todas as suas promessas, levando-as até o fim. Nem que você tenha que morrer para isso...”

...

            Dentro dos tubos continentais das estrelas escuras, as pessoas que haviam sido sequestradas acordavam do seu estado hipnótico. Laryssa, Azio e todos os outros Senhores de Castelo e aprendizes estavam lá, sem saber exatamente o que estava acontecendo. De repente, um burburinho que já estava se tornando uma algazarra lhes chamou a atenção. Laryssa e Azio correram para ver o que estava acontecendo e viram Fentáziz tentando abrir a porta do cilindro à força. A Senhora de Castelo perguntou:
            –O que você está fazendo Fentáziz?
            –Temos que sair daqui! Thagir e Kullat estão lá sozinhos! – Juntando a sua maru mágica, o repórter continuava atacando insistentemente a porta que não se abria.
            –Como você sabe que eles não estão aqui, este lugar é grande, eles devem...
            –Não! O sistema de transmissão específica ainda está funcionando, eu os vi lá fora... O comedor de sonhos está livre!
            Percebendo a gravidade do caso, Laryssa e Azio se puseram a ajudar, assim como outros Senhores de Castelo. A porta era hermeticamente fechada, mas não era duas e logo veio abaixo. O grito de guerra pode ser ouvido mesmo do lado de fora do colosso espacial.
            O simples repórter tinha certeza do que deveria fazer e começou a gritar do lugar mais alto que havia encontrado:
            –Escutem todos, precisamos dos castelares engenheiros aqui! – Laryssa apoiava o repórter, gritando o mesmo.
            –Do que precisamos Fentáziz? – Perguntou Azio.
            –Precisamos ligar os corredores infinitos diretamente na ilha de Ev’ve... Só assim conseguiremos chegar até lá...
            Então, os maiores gênios dentro da Ordem dos Senhores de Castelo se apresentaram e começaram a fazer o seu trabalho. Discutindo aqui e ali, fazendo soldas e mais soldas, ligando fios, usando seus teclados aéreos para fazer cálculos e mais cálculos. Dentro de alguns minutos o sistema estava ligado e funcionando perfeitamente, levando a multidão para as docas boreais. Laryssa olhava para os lados, procurava por Fentáziz:
            –Onde eles estão? Diga-me! – A Senhora de Castelo sentia algo ruim em seu coração.
            –Segundo os receptores... – Fentáziz sentia os sinais emitidos dentro de sua cabeça. – Kullat está no pátio secundário, atrás do conselho, e Thagir está indo atrás dele. Kullat está segurando algo em suas mãos... Desculpe, a recepção está ficando difícil, o comedor de sonhos deve estar devorando o sinal.
–Certo... Obrigada! – Laryssa começou a correr a pé, o mais rápido que podia.
–A Senhora de Castelo gostaria de uma carona? – Um motoqueiro de preto parou ao lado de Laryssa.
–Você de novo!
–Surpresa em me ver?! Que amor... – Laryssa não quis saber e subiu na moto elétrica.
–Vamos para o pátio secundário Micah! Pode exagerar o quanto quiser na velocidade!
–Deixe comigo! – E Micah acelerou com tudo, saindo em disparada.
–Mestra Laryssa! – Azio havia ficado para trás.
–Você vem comigo latinha... – Azio olhou para os lados e viu o repórter. – Preciso de você para concluir o meu plano.
–E do se trata?
–Preciso ampliar as ondas do transmissor específico que estão no farol de Nopporn...
–E o que você pretende com isso?
–Fazer um verdadeiro milagre!
–...?! – Azio não computava tal informação, o que fazia seus olhos piscarem.
Mesmo assim, o autômato acompanhou o repórter do informe do multiverso aonde ele queria.
...

            Enquanto isso, Thagir tinha certeza de onde estava o amigo e simplesmente se dirigiu para lá, ativando a supervelocidade adquirida do verdadeiro coração de Thandur. Este artefato místico, além de aumentar os sentidos ao máximo, desacelerando consideravelmente a percepção do tempo, tem outra habilidade especial: ver o futuro. Como qualquer outra teoria do tempo, o futuro é algo incerto, capaz de ser mudado. No entanto, o que Kullat estava para fazer era algo que não poderia ser mudado...
            O Senhor de Castelo, perdido nas imagens que lhe vinham a mente incessantemente, torcia para que o tempo ainda não tivesse passado:
            –Kullat!!! – O oririano estava de costas para Thagir, segurando a espada do infinito que estava completamente inerte.
            –A energia dela se foi, não tem como combatermos o comedor de sonhos sem ela... – Seu tom era triste, parecia estar se aguentando para não chorar.
            –Kullat, não faça isso!!! – Thagir se detinha para evitar o pior.
            –Amigo, todas as vezes que estivemos juntos, todas as vezes que lutamos contra o mal, eu ainda não pude lhe dizer o quanto sou grato por tudo isso, por ter podido viver ao lado de um grande Senhor de Castelo. Confesso que sempre me senti inferior a você, por não ter tido uma família, mulher e filhos. Eu sei de minha condição como Senhor de Castelo, eu amo o que faço. Mas chegou a hora de retribuir tudo o que você fez por mim, este é o meu dia de bravura...
            –Não!!! Kullat!!!
            O manto branco do Senhor de Castelo, que tantas vezes iluminava no escuro e era um alento para os desesperados, perdera o brilho e começou a ser corrompido pelo vermelho de seu próprio sangue. Thagir correu para perto dele, sentindo a pior das agonias, tomado pelo desespero:
            –Kullat!!! Você não precisava fazer isso... – O sangue do companheiro estava em suas mãos, escorrendo pela espada do infinito.
            Laryssa havia acabado de chegar ao pátio secundário com a carona de Micah e correu para junto dos amigos:
            –Kullat... – A Senhora de Castelo estava sem palavras. – O que você fez seu idiota!
            Num último suspiro, Kullat tentou dizer algumas palavras, a castelar de Agabier se aproximou para ouvir:
            –Laryssa, eu... te...
            –Kullat? Kullat!!! Kullat... – Ela gritava o máximo que conseguia, chorando copiosamente. – Eu também te amo...
            Thagir e Laryssa choravam amargamente, mesmo depois de ter enfrentado Volgo e seus asseclas sanguinários tantas vezes, nada poderia ser mais triste do que aquela angustia. Um amigo é e sempre será mais precioso que qualquer multiverso...
Num último lampejo de esperança, a maru vital fora aceita e a espada do infinito estava novamente viva e brilhando, esperando ser empunhada por seu legítimo senhor...
...

Transmissão continua...