segunda-feira, 4 de março de 2013

Lua de Sangue - O Baile de Natal


LUA DE SANGUE – O BAILE DE NATAL


Escrito por: Harinara Carolina
Revisto e Editado por: Victório Anthony



Quando Draco me trouxe o vestido, não imaginava que ficaria tão bonito. Ele parecia uma criança de tão ansioso que estava com o baile:
– Luna, mandarei algumas pessoas para te ajudar a se arrumar. Quero você linda e que seja o centro das atenções e comentários do baile! – disse-me sorrindo.
– Precisa de tudo isso?
– Claro! Quero mostrar minha companheira a todos! – ele saiu do quarto sem que me deixasse reclamar.
– O que ele está escondendo de mim? – disse para mim mesma. – Sua companheira? Como assim?! O que ele quer de mim nesse baile? Daria tudo para saber essas respostas...
Com o baile se aproximando, reparei que além do vestido havia uma máscara feita com renda azul e algumas pérolas. Com batidas repentinas na porta, tive de interromper aquele momento de reflexão.
– Senhorita Luna, queria informá-la que o baile começará às 21 horas e neste momento são 19h30min.
– Obrigada por informar, vou começar a me arrumar e tomarei um banho.
Já era tarde eu precisava correr. Com a banheira pronta, mergulhei na água quente e sais de jasmim que me caíram perfeitamente bem. Deitei-me e permaneci por lá cerca de trinta minutos, até perceber a presença de Draco:
– Não queria te assustar – disse, me admirando na água.
– Tudo bem. Passe me a esponja vegetal, por favor? Esqueci de pegar... – agia carinhosamente, enquanto tentava decifrar seu olhar.
– Quer que eu esfregue as suas costas? – seu tom era provocativo, o que eu havia adorado.

– Somente as costas – retribuo com um sorriso. – Não tente fazer nada...
Ele se aproxima da banheira, fica de joelhos e começa a esfregar as minhas costas delicadamente. Ainda sem saber de suas intenções, tentei manter tudo como uma amizade.
– Draco?
– Diga minha querida – sua voz era macia e calma.
– Já está bom. Poderia se retirar para que eu termine o banho?
Ele se levantou e saiu do banheiro sem dizer uma palavra. Tratei de terminar o banho e me lembrei de algo.
– Ah, Draco, poderia me trazer a toalha que está encima da cama?
Ele retorna com a toalha, me entrega e sai silenciosamente. Enrolo-me na tolha e vou para o quarto. Encontro Draco sentado na poltrona de couro preto, pensativo:
– Luna, por que você me provoca tanto? – ele fitou-me firmemente com aqueles olhos violáceos tão incomuns que pude vê-los com perfeição.
– Não faço isso – respondi, me mostrando desinteressada.
– Você faz! – retrucou, preocupado. – Primeiro no jardim e agora no banheiro. Afinal, o que você quer que eu faça? – me olhou mais a fundo, percorrendo meu corpo.
– Não quero nada – ele se aproxima de mim. – Draco, não, por favor!
Ele segura a minha mão e a conduz até seu peito:
– Está vendo? Algo pulsa aqui dentro quando estou perto de você.
– Para de ser bobo. Isso é seu coração!
– Vampiros não têm pulsação... Quero dizer, você me esquenta de alguma forma – ele se afasta de mim e para ante de passar pela porta. – Luna, os ajudantes já estão subindo.
– Obrigada – agradeci enquanto terminava de vestir o roupão.
Ele finalmente desce as escadas e entram duas mulheres:
– Com sua licença senhorita Luna, viemos arrumar seu cabelo e fazer sua maquiagem.
– Sim, claro.
Cerca de uma hora depois, Draco entra bufando impaciente no quarto:
– Que demora em arrumar uma única pessoa! – ele me olha ainda de roupão. – Você ainda está assim?
Draco vestia um lindo smoking cinza levemente azulado, uma roupa de época melhor dizendo, com as mangas de renda com abotoaduras azuis e gravata borboleta no pescoço. Ele segurava na mão máscara que cobriria todo o rosto, recoberta de renda nos mesmo tons da roupa, destacando seus belos olhos:
– Luna, me responda, por que ainda não está pronta? – sua voz soou áspera.
– Mil perdões, lorde Draco! A culpa é toda nossa – respondeu uma das moças.
– Já terminaram de arrumá-la?
– Só falta por o vestido, milord – terminou a outra de cabeça baixa.
– Deixe que eu a ajude. Vocês... Retirem-se agora. – elas saíram do quarto apressadamente.
E eu estava ali, com aquele homem nervoso e muito ansioso:
– Luna, tire esse roupão, estamos atrasados em meia hora! – ordenou-me rudemente.
– Acalme-se... – o roupão deslizou facilmente.
– Boa menina – sorria ele com satisfação.
– Não sou um animal para que me diga “boa menina” – retruquei rispidamente.
– Desculpe-me se te ofendi – se desculpou me ajudando a por o vestido.
O vestido cabia perfeitamente em meu corpo, se bem que ele fora feito especialmente para isso:
– Você está linda! Uma verdadeira princesa da Lua! – gracejou como se contemplasse uma pintura que acabara de terminar depois que me levantei e calcei os sapatos. – Podemos ir? Os convidados não podem ficar mais esperando – sua voz ficou séria subitamente.
Ele me ofereceu seu braço e sem mais conversas descemos as escadas. O salão estava esplêndido, enfeitado com diversas e magníficas flores juntamente com tecidos de seda que ressaltavam lindamente o ambiente. Os convidados estavam divinamente bem vestidos em seus trajes de gala para aquela noite especial. A música parou por alguns instantes e fomos anunciados, com todos nos aplaudindo ao final. Depois de todo o burburinho, terminamos de descer e nos aproximamos do prefeito e sua nova esposa:
– Draco! Que bom revê-lo! Conheça minha nova esposa – começou o prefeito com ar de pura satisfação – Seu nome é Maria.
– Muito prazer minha senhora – ele fez uma reverência cordial e lhe beijou a mão. – Lady Maria.
– O prazer é meu, senhor... – ela escondia uma risadinha engraçada de contentamento por detrás de um leque que balançava delicadamente.
– Excelentíssimo prefeito, esta é Luna, minha acompanhante – disse ele, cheio de si. – Ela pretende passar uma temporada aqui comigo.
– Muito prazer, belíssima senhorita Luna. – ao invés de demonstrar ciúmes com a impressão evidente do prefeito, sua esposa pareceu estar desapontada com algo.
– O prazer é meu, senhor... – repliquei a dama para não parecer vulgar.
– Desculpe-me prefeito – interrompeu Draco. – Chegaram mais convidados e como anfitrião irei recebê-los imediatamente. Por favor, aproveite a festa!
Nós afastamos, deixando o velho gordo e sua mulher asquerosa sozinhos. Caminhamos em direção de uma mulher de brilhantes cabelos verdes, trajando um vestido negro com saia volumosa e corpete apertado segurando com a mão uma mascara dourada no rosto, acompanhada de um homem soturno, de roupas fechadas e sufocantes – lembrando um ninja japonês. Ao perceber que estávamos nos aproximando, seus olhos brilharam e, antes que Draco pudesse começar a falar, ela pulou nos braços dele, simulando um desmaio:
– Meu amor, quanto tempo – ela tenta beijá-lo a força, mais pro desprezo que por sedução, desejosa de cravar-lhe as unhas em seu pescoço.
– Mônica, pare! – ele a levanta e ela se recompõe. Draco se aproxima de mim, me abraçando.
– Quem é essa nojentinha? – perguntou, indignada.
– Luna, minha acompanhante – tentei me conter, mas estava adorando estar envolvida por seus braços.
– Garota ridícula...
– Desculpe. Esta é uma noite de festa e estamos aqui para comemorar. Quem está sendo ridícula é você, se oferecendo ao um homem que não te quer. Promíscua...
– Garota irritante! Você não sabe com quem está se metendo – ela me encara seriamente – Daroko, mate-a agora na frente de todos.
Prontamente aquele homem obedeceu, empunhando uma adaga. Draco rapidamente me puxou para trás dele:
– Mônica, eu já lhe disse, pare! – Draco lançou um olhar de raiva contra Daroko. – Se matar Luna, mato você e o seu escravo pessoal!
– Draco, Draco... Não vê que ela está tirando você de mim?
– Nunca fui seu... – respondeu, desviando o olhar.
– Novamente essa maldita rosa azul? – ela parou e me olhou por um instante. – Ela não poder ser a sua rosa azul!
– Eu sou apenas eu! – respondo com firmeza.
Mônica cerra os olhos com pleno desgosto de mim:
– Daroko, vamos sair daqui. Estou enojada com a presença dessa garota, ela não vale sequer que tire sua espada da bainha – e saíram de perto de nós. O que me deixou aliviada.
– Luna, você está bem? – perguntou Draco segurando levemente o meu rosto para que me olhasse nos olhos.
– Apenas um pouco assustada e confusa – desviei o olhar, me sentindo insegura.
– Ótimo, precisamos ficar aqui até a primeira valsa e então poderemos sair para o jardim – concordei silenciosamente.
A valsa seria a meia noite e continuamos cumprimentando os convidados até que fosse a hora. Nesse meio tempo, Draco ficou segurando minha mão como se tivesse medo de me perder.
À meia noite, a música cessou mais uma vez e a valsa começou. Draco ofereceu-me sua mão para dançarmos e, como adoro dançar, aceitei:
– Luna, apenas me acompanhe se tiver alguma dúvida.
Éramos o centro das atenções, dançando no meio da pista. Antes que a música terminasse saímos para o jardim, como prometido:
– Dança comigo aqui no meio das flores?
– Claro! – estava lisonjeada com a proposta.
Com a valsa ainda tocando, voltamos a dançar. Eu sentia a liberdade da natureza, a magia no ar que intensificava tudo. Logo a gravidade sumiu, meus poderes estavam sendo liberados naquele momento de descontração, formando gotículas de água ao nosso redor. Elas nos acompanhavam como estrelas reluzentes deixando o espetáculo belo e misterioso. A música terminou e voltamos ao chão. Nos braços de Draco, eu olhava para aquela máscara que me deixava agitada:
– Luna, vou tirar sua máscara. Quero ver teus lindos olhos – ele retirou a minha e a dele, delicadamente. – Você é linda!
– Obrigada – e me beijou. Desta vez, não tentei lutar.
– Adoro sua boca, adoro olhar seu corpo e seu ar ingênuo e infantil.
– Draco, não me tente... – com os lábios dele nos meus, a voz saiu abafada.
– Desculpe, não consigo parar. Te quero muito, não só por uma noite. Te quero pela vida inteira!
– Como? – queria ter certeza do que estava ouvindo.
– Venha comigo – o segui e fomos para uma linda cachoeira numa área privada da mansão, com uma pequena cobertura preparada para nos receber.
Pelo caminho, diversas velas apagadas iam se acendendo com chamas azuis:
– E para que tudo isso? – perguntei, curiosa.
– Silêncio, agora você só me escuta, deixe que eu falo... – concordei. – Quero você esta noite, talvez seja minha última noite antes da quaresma antes da lua de sangue, até lá meu contato com você será o mínimo possível. Não sei qual será o efeito dessa lua sobre nós, principalmente sobre mim...
Não me sentia à-vontade com ele e desabafei:
– Draco, não gosto disso. Você só quer me usar e eu não sou uma pessoa para ser usada...
– Luna, escute, eu preciso estar com você agora. Não posso mais esperar, o futuro é incerto e necessito ter alguém em quem confio para estar comigo. Sei que você não é a minha rosa azul, mas pode me fazer com que eu a esqueça...
– Não quero ser o seu estepe! Faça essa proposta para outra, para a Mônica, não a mim! – estava chateada com o que ele me dissera.
– Você não é o meu estepe, preciso de alguém e quero que seja você... – ele me abraçou. – Pequena, quero você para sempre, uma rosa é uma rosa, não uma mulher... – olhou me nos olhos e me beijou novamente, com mais paixão.
Nessa troca de beijos, desisti de me segurar tanto e cedi ao seu carinho. Ele passou a mão no fecho do vestido e o abriu delicadamente. Seminua sem o meu vestido, ele tirou seu smoking e vislumbrei seu lindo corpo definido:
– Luna, você é magnífica, perfeita, de feições angelicais, aliás, um anjo que esconde um demônio, poderoso e quente. Anjos são loiros e chatos, e você é morena e tão excitante que sinto minha alma ser arrancada toda vez que resistiu ao meu toque, toda vez que se insinuou a mim... – permaneço em silêncio, ouvindo cada palavra. – Quero você agora...
Ele me segurou em seus braços e me deitou debaixo da cobertura. Me beijava loucamente, começou pela boca, foi descendo pelo pescoço até meus seios dando mordidas suaves – a sensação era ótima! Parou por um momento e continuou, chegando a barriga, percorreu o resto do caminho, me tocando profundamente.  Ligeiramente, sem que eu deixasse de sentir o êxtase de seu toque, tirou sua calça... E que corpo! Feito nas medidas certas, nada pequeno, devo dizer. Ele se deitou sobre mim e senti sua penetração. Excitada, mostrei a ele que também sei alguns truques. Mudei de posição, subindo em cima dele, beijando do mesmo jeito e indo além, para deixá-lo louco. Sabia que naquela posição sentiria melhor a penetração e o dominaria completamente...
Ficamos muito tempo ali, nos divertindo. Em algum momento, exausta, adormeci em seus braços. Me recordo apenas de perceber que havia amanhecido e ele estava ao meu lado, dormindo, com o rosto virado na minha direção. Sem preocupações na cabeça, voltei a dormir. Ainda não estava completamente acostumada com a nova rotina vampírica. Lembro me que, naquela manhã eu estava feliz, aquela fora a melhor noite da minha vida, nunca me diverti tanto com ele...
Por enquanto já basta, o resto da historia conto a vocês depois,
um grande beijo de sangue da sua vampira Luna Blue.
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