sexta-feira, 25 de maio de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Os Caçadores Sombrios


Kullat contra Alvora, a Musa da Guerra – 1ª parte
Informe do Multiverso



            “Os Caçadores Sombrios atacaram novamente. Os líderes do grupo de repressão Kullat e Thagir partiram para seus planetas natais para averiguar os códices antigos que podem conter mais informações sobre o que os Caçadores querem. O que eles encontraram não os deixou nada felizes. Kullat e seu amigo Azio, o autômato, partiram para Oririn e Thagir e Laryssa partiram para Curanaã, ambos seguidos de três duplas de Senhores de Castelo experientes. Esta é a transmissão do encontro de Kullat e Alvora, a terrível musa da guerra. Aqui foi Fentáziz, do Informe do Multiverso.”
...

Começando transmissão...

            Kullat estava no deque do navio boreal, observando o passar do tempo, sentindo a brisa leve provocada pela travessia. Azio vinha a seu encontro verificar o que se passava, estava viajando por novos mundos quando recebeu a mensagem de convite para a luta contra os Caçadores Sombrios. Ele ainda não havia entendido o que se passava:
            –Estamos numa guerra, creio eu. – Disse Kullat, ainda indeciso sobre o que estava acontecendo.
            –Porque os Caçadores têm como alvos os Senhores de Castelo? – Perguntou Azio com sua voz robótica.
            –Pelo que Thagir e os anciões especulam, é pelo motivo óbvio... – Kullat se interrompeu.
            –E qual seria? – O autômato piscou os olhos tentando processar a questão, sem sucesso aparente.
            –Porque, além da Ordem dos Senhores de Castelo ser uma grande potência no multiverso, cada um que é admito na academia se torna o melhor daquele planeta, é uma seleção natural dos melhores. Eles estão experimentando, tentando saber quais são os mais fortes. O motivo real ainda é desconhecido, Thagir espera que reunindo os códices místicos de Curanaã e Oririn, a questão se torne mais lúcida.
            –E o que são esses códices?
            –São relíquias de culturas muito primitivas que absorveram o conhecimento transmitido pelo poder de um artefato antigo que geraram os dois planetas... – A informação deixava o processador de Azio um pouco lento para entender.
            –Estamos indo atrás dos códices para saber o que há neles?
            –Sim, latinha. Thagir espera ir além do jogo doentio dos Caçadores e virar ele completamente.
            Nesse momento o capitão do navio avisou que Oririn já estava visível e que logo chegariam à entrada dos mares naturais do planeta. Kullat estava um pouco apreensivo, já fazia algum tempo que não voltava ao seu planeta de origem. Ele e Azio ficaram observando a chegada impassíveis, esperando que aquela fosse mais uma chegada qualquer. O que exatamente não ocorrera:
            –Este é seu planeta? – Azio fez uma observação.
            –... – Kullat estava abismado, a figura de seu planeta que lhe era mostrada estava completamente diferente.
Ele foi falar com o capitão:
            –Tem certeza que este é o planeta Oririn? – Ele estava preocupado, mas seu tom era sério e decido.
            –Pelos registros... Sim. – O capitão observava os computadores que estavam disponíveis na cabine. – Esta são fotos dele há 24 horas e as horas seguintes...
            Na tela, o computador mostrava fotos conseguintes de um planeta normal se deformando. De um lado do planeta as matas verdes e os mares vivos iam dando lugar a tórridos desertos e a lugares poluídos e mortos. Do outro a situação era pior, era como se alguém tivesse ascendido um lança-chamas e queimado metade do planeta, que se mostrava incandescente ainda em algumas partes. Kullat apertava as mãos e cerrava os dentes, tentava se concentrar e pensar normalmente. Em uma batalha, o que o inimigo mais quer é que você se renda aos seus esforços para te abalar, conseguindo assim uma vitória fácil. Ele tomou uma decisão e foi em frente:
            –Vamos direto para o castelo sede da Ordem... – Isso significava que usariam naves voadoras para chegar mais rápido e não perderiam tempo aportando em algum porto.
            Kullat e Azio partiram numa nave onde só cabiam os dois, como também as outras duplas de Senhores de Castelo que os acompanhavam. As naves eram leves e extremamente rápidas, se tivessem rodas poderiam ser consideradas como motos. Aquele era um método incomum para Kullat viajar, mas o tempo urgia, não havia tempo para vôos livres. Eles se dirigiram diretamente para a sede no centro da maior da capital de Oririn, do lado do planeta que parecia morto. A capital antes viva tinha ares de desgraça, a paz que os Senhores de Castelo haviam trazido àquele simples planeta havia dado lugar a um cenário por onde a guerra com certeza teria passado. Nos belos rios de água límpida e potável, havia um tom muito peculiar, o de que havia sido derramado sangue inocente naquelas águas. Porém foi quando eles chegaram à sede da Ordem que souberam que quem fizera aquilo havia passado dos limites. O lugar estava repleto de empalações, os cadáveres do povo de Oririn jaziam ao redor do castelo atravessados por agudas estacas que os erguiam em pleno ar. O mais inexplicável daquela cena horrorosa era o fato dos mortos já estarem putrefatos, quando os registros afirmam que há um dia tudo estava completamente normal. Com a permissão de N’quamor, eles já sabiam onde os códices estavam e seguiriam direto para lá.
            Já dentro do castelo, no torreão principal, os Senhores de Castelo e o autômato se viram de frente com o inimigo. Naquele lugar aberto, havia uma mulher pairando no ar. Ela tinha a aparência de uma moça delicada, cabelos fartos, pele sedosa e roupas esvoaçantes em tons de vermelho. Suas mãos estavam vermelhas, sujas de sangue, levando-as frequentemente a boca. Tinha emanações de maru carregada, detectada com tons rubros, uma rara maru sombria notada apenas nos deuses da chacina. Pela experiência do multibiólogo do grupo, aquela deveria ser a mais bela deusa do panteão da chacina: Alvora, a musa da guerra. Seus poderes são catastróficos, não obstante, fora ela que causara a degradação do planeta em tão pouco tempo. No momento não havia perigo, comentou o especialista, poderiam perguntar qualquer coisa que ela responderia, pois ela estava em estado de êxtase, devorando as energias de desespero que ela mesma criara. Por isso os constantes gemidos:
            –Quatro de vocês procurem pelo códice e saiam por onde der, não tentem voltar por aqui. – Ordenou Kullat. – O multibiólogo e seu parceiro fiquem comigo. Vamos tentar obter informações. Todos os comunicadores funcionando?
            –Sim. – Disseram os outros que imediatamente partiram para os andares superiores.
            –Azio, desculpe ter que envolver você nisso... – Kullat estava preocupado com o autômato.
            –Compartilho de sua dor, amigo. Eu também vi meu planeta morrer em pouco tempo. Vamos conseguir reverter a situação. – Azio pensava mecanicamente e entrou em modo de batalha.
            Todos estavam prontos para o quer der e vier...

Continua...