segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Devil's Drink 23 - Quem está faltando?

  Mais uma semana, novos clientes, espero que o atendimento esteja sendo do gosto de vocês! \o/ Então, sejam bem vindos DIO e Irineu!
  Aqui o cliente tem razão, se quiserem que eu prepare um drinque para vocês é só dizer! ^^ Vai com dedicatória e tudo, hein! :D
  Agora, aproveitem este drinque que vos ofereço, não custa nada e tem um sabor diferente do que vocês já provaram. o/
  Sirvam-se.


Devil’s Drink 23 – Quem está faltando?



            “Partes de mim?”, se perguntava En’hain, olhando os dois sujeitos que supostamente brotaram de seu corpo etéreo que normalmente se condensa de forma metálica. “Lidi’en me parece ser ouro enquanto Nox’en me lembra o bronze. Então eu devo ser a prata, com estes cabelos prateados...”
            Lidi’en, de cabelo loiro, notou a concentração exacerbada de En’hain nos dois irmãos e tentou ter alguma conversa:
            – Pensando muito em nós? – En’hain, com seu jeito meio tímido, demorou um pouco a falar.
            – Sim... – nenhuma outra frase se formou em seus pensamentos.
            – Muito difícil de entender?
            – Sim...
            – Não querendo chamar-lhe a atenção como Nox’en faria...
            – O que é que tem eu, aí? – Nox’en não notou a conversa dos dois, mas ouviu perfeitamente o seu nome ser chamado.
            – Ignore-o... Continuando. Não querendo chamar-lhe a atenção indevidamente, mas, você só vai ficar me dizendo sim o tempo todo?
            – ... – En’hain ficou pensando, sem dizer nada, ainda com o olhar vago.
            Nox’en, por sua vez, não se importava com o que estava acontecendo, preferia brincar com as garrafas do bar, fazendo malabarismos, do que cuidar dos afazeres. Lidi’en acabou por se irritar novamente com ele:
            – Nox’en... – disse secamente.
            – O quê?
            – Nox’en...
            – Fala!
            – Nox’en! – acabou gritando.
            – Merda! – o novo barman acabou derrubando uma das garrafas que acabou quebrando. – Por que você gritou comigo... De novo?!
            – Você não para de brincar com as garrafas.
            – E daí? Faz parte do show que eu vou fazer hoje à noite... Estou apenas treinando.
            – Infelizmente, meu irmão, temos que organizar tudo para atender a clientela antes do expediente começar. – ponderou Lidi’en.
            – Palhaço... Precisava me assustar? Ei, você?! – Nox’en se dirigiu a En’hain.
            – Eu?
            – Acorda pra vida, seu zumbi, vai lá atrás pegar a pá e a vassoura pra mim!
            – Nox’en! – gritou Lidi’en novamente.
            – O que é?! – bufou o barman atrás do balcão.
            – Ao menos peça, por favor!
            – ...! – Nox’en cerrou os olhos, rancorosamente. Respirou fundo e pediu. – Poderia, por favor, pegar a pá e a vassoura?
            – ... – En’hain olhava para o vazio sem responder nada.
            – Acorda molenga! – gritou ele.
            – Elas estão atrás de você...
            – Mas, hein? – Nox’en olhou para trás e realmente a pá e a vassoura estavam ali, perto dele. – Ué? Eu jurava que eles estavam lá atrás, na cozinha... Bom, que seja. Foi mal, aí...
            – ... – En’hain ficou novamente calado.
            Lidi’en ficou atento com o que aconteceu. Ele também sabia que a vassoura e a pá não estavam ali...
...

            En’hain estava do lado de fora do bar, no jardim posterior a entrada, pensando na vida, isto é, se algum pensamento pleno lhe ocorresse. Ele ouviu a conversa de Gurei, Lady Neko e Sasha que estavam chegando do mercado com as compras do dia:
            – Eu querer osso! – disse Sasha, o lobisomem.
            – Não dou! Heheh... – Gurei estava brincando com seu amigo como sempre fazia, tratando-o como um simples animal.
            – Gurei, pare com isso, você sabe como isso irrita o En’hain. Não trate o Sasha desse jeito. – disse Lady Neko.
            – Ah, mas olha a cara dele. É irresistível fazer isso com ele! – Gurei sorria, por estar se divertindo tanto.
            O draconiano de prata estava em seus pensamentos, finalmente ele conseguiu lembrar-se de alguma coisa, uma imagem. Lá estava ele, feliz por terminar mais um dia de expediente. Estavam lá o Gurei, o Sasha, a Lady Neko e seu marido, o prefeito da vila, Liori. Tinha também o Vovô Neko, do templo xintoísta da vila, que insistia em ficar de olho nos fartos seios da esposa do prefeito. En’hain sorriu e sentiu um peso nas costas. Colocou as mãos lá e não tinha nada, faltava alguma coisa... Entrou correndo no bar:
            – Onde ele está?! – sua voz estava desesperada. – Eu quero saber, onde ele está?!
            Lidi’en e Nox’en não sabiam do que ele estava falando:
            – Opa! Começou a falar? O que foi, o que aconteceu? – perguntou Nox’en.
            – Nox... Ele deve estar falando daquilo que o Gunshin falou.
            – Ih! Então ele vai surtar de novo?
            – Onde ele está?! – gritou En’hain.
            – Não sabemos, está bem?! – gritou Gurei, sem dirigir o olhar.
            – Quem é ele? – a respiração de En’hain estava difícil. – Quem é ele? Por que eu não consigo me lembrar dele?
            – Ele se foi... – Lady Neko também estava triste.
            – Quem é ele?!!! – En’hain gritava desesperado.
            – Não sabemos! – Gurei estava mais exaltado ainda. – Ele deve ter atravessado a parede de silêncio...
            – Não, não, não... – En’hain caiu de joelhos, aos prantos. – Quem é ele?!!!
            – Acalme-se, por favor. – interveio Lidi’en.
            O frágil estado de En’hain piorou e ele acabou desmaiando. Junto com sua queda, algumas garrafas do bar simplesmente explodiram, enquanto as portas e janelas ficaram batendo violentamente:
            – Não disse? – falou Nox’en.
            – Acho que isso vai ser um problema... – disse Gunshin aparecendo de repente.
            – Por que um problema? Nem sabemos por que ele está assim – disse Lidi’en.
            – Perder alguém é uma coisa, lembrar sempre dela sem saber quem é pode te enlouquecer... Esse é um dos piores efeitos da parede de silêncio.
            – Gunshin, não tem como ajudar o En’hain? – pediu Gurei, encarecidamente.
            – Não... É assim que a parede de silêncio protege os nekos da vila há tanto tempo. Os homens gato sempre foram seres humilhados das mais terríveis formas pelos humanos, o mago que fez esse encanto queria garantir que tudo fosse esquecido e sumiu, sem deixar nenhuma pista de como desfazer a parede de silêncio. Sinto muito...
            – Ele vai? – perguntou Lidi’en.
            – Sim... Ele já está fraco demais. Se o neko de ligação dele não voltar, a instabilidade de sua forma etérea irá sucumbir, levando consigo seu corpo de carne...
            – Seu inútil! – gritou Gurei, cheio de raiva. – Você o deixa sozinho nesse lugar cheio de pesadelos para os humanos como se fosse fácil e some sempre que ele precisa de você!
            – Foi ele que foi me buscar...
            – ...! – todos se assustaram com as palavras de Gunshin.
            – E então?! Porque ele não veio com você? – Gurei exigiu uma resposta.
            – Não sei... – Gunshin pegou En’hain nos braços, e o levou para cima. Os outros ficaram calados.

...