segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Fanzine - O Filho do Fim - Capítulo 34


Me Sinto Bem

 

            Westem, que carregava Nerítico nas costas, fugia dos dopelgangers por entre as largas ruas da cidade baixa:
            – Onde está Pilares? Ele está demorando... Peixinho, por favor, volte logo!
...

            – Finalmente! – exclamou Ferus ao avistar a Cidade Baixa. – Pensei que nunca conseguiríamos!
            O diabrete vermelho voou do ombro de Dimios e sumiu no meio das constantes nuvens do céu.
            – Ih! Ele se cansou de você! – o jovem castelar tentou tirar sarro do ziniano.
            – ... – Dimios nada respondeu, mantendo a expressão pesada.
            – Ah! Com você não tem graça! – e cerrou os olhos, emburrado.
            – Vamos! – retrucou secamente.
            Ferus ouviu um barulho de lamurio que estava próximo.
            – Ah, não! Eu já ouvi coisas demais por uma única missão! Dimios, vá você ver! É a sua vez.
            Compenetrado, Dimios se esgueiro rapidamente e atacou a criatura chorosa, rasgando-lhe a carne com a Garra de Sartel. Ferus veio em seguida:
            – Depois sou eu que sou violento com os dopelgangers! Você sabe o que fez?! – a criatura gigante urrava de dor.
            – Vamos...
            – Não mesmo! Agora eu tenho que ajudar o Iksio! – Dimios estranhou. Olhou melhor para a criatura e ela realmente se parecia com o arthuano, apesar dele estar monstruosamente modificado. Reparou na tatuagem fantasma e teve certeza, era ele.
            – Como você sabia que era ele tão rapidamente?
            – Não sei... Só sabia que era ele... É a mesma essência eu acho... – Ferus tirou um frasco com um liquido verde de seu cilindro. – Acho melhor você desligar o pulso elétrico da Garra de Sartel...
            O ziniano percebeu que o jovem castelar tinha razão, a potência elétrica estava alta e ele havia se esquecido de baixar a frequência. Dimios pôs a mão no encaixe e apertou o botão para desligar, o alívio foi um grande alento depois de tanto tempo com uma tensão elétrica passando por todo o seu corpo. Suas ideias começaram a ficar lúcidas, o pulso elétrico estava impedindo-o de pensar com clareza. Os pensamentos fluíam normalmente agora.
            – Sente-se melhor? – perguntou Ferus.
            – Sim... – respondeu Dimios.
            – Você não! O Iksio! Ainda bem que eu ando com um frasco do soro de cura, ele realmente vem bem a calhar em situações como essa... – o armeiro guardou um pouco do líquido que fora despejado na ferida ainda no frasco e deu para o multibiólogo beber.
– Acho que isso pode te ajudar nisso também...
            E de fato foi o que ocorreu, Iksio voltou a sua forma e tamanho naturais. Por sua educação, ele não pode deixar de dizer:
            – Muito obrigado, amigo Ferus. – o Senhor de Castelo ainda permanecia fraco e não se levantou sem ainda cambalear, o armeiro lhe deu um ombro para ajudá-lo.
            – Agora sim, Dimios! Podemos ir para a Cidade Baixa...
            – Não! – gritou Iksio, se desesperando. – Não posso voltar lá!
            – Cale a boca... – não era Dimios que estava falando num tom grosso, baixo e pesado, era Ferus. – Deixe de ser molenga!
            – Mas, por favor, entenda, eu não posso voltar...
            – Eu só vou dizer mais uma vez... – o cabelo do armeiro ficou vermelho. – Cale a boca... Vamos andando... – disse pausadamente, com olhar penetrante.
            Iksio baixou a barbatana da cabeça e consentiu em ser levado de volta a Cidade Baixa.

...

            – Dimios! – gritou o jovem castelar. – Cuide dos dopelgangers! Não quero ter problemas enquanto carrego o peixinho de aquário...
            – Pelas águas sagradas! Você também me chamando de peixe? Eu sou um homo pisces!
            – Que seja...
...

            – Pilares! Porque demorou? – Westem olhava fixamente para a tatuagem fantasma para ter certeza.
            – Não encontrei o monstrinho de aquário... – ele tentava demonstrar o mesmo ânimo do bárbaro galiano. – Procurei sem parar subindo nesses prédios, por isso a demora. Cheguei a encontrar uma caixa enorme no lugar em que estávamos. Não quis abrir, por ser muito pesada e vim lhe pedir que a trouxesse. Ela tem o símbolo daquela nave estelar que nos trouxe até aqui e posso jurar que foi o Iksio que a levou até ali.
            – Certo... Você cuida do Nerítico até eu voltar?
            – Claro! Nunca deixaria meu parceiro na mão! – Pilares sorriu, pousando rapidamente o olhar no amigo de tantas missões.
            Westem saiu sem mais demoras, parecia preocupado:
            – Por que o Iksio deixaria a caixa com suprimentos de lado?
            O bárbaro não se demorou em voltar, um ou dois dopelgangers apareceram no caminho e foram massacrados pelos punhos poderosos que já estavam coçando por ainda não terem sido usados no planeta sem nome.
            Westem encontrou a caixa no lugar em que os castelares estavam. Um forte cheiro de sangue estava no ar e o galiano reparou na poça que estava no beco próximo com uma bandana encharcada e uma faca pontuda nela:
            – Não pode ser...
...

            – Pilares! – gritou Ferus procurando pelos Senhores de Castelo. – Nerítico! Westem!
            Iksio se sentiu incomodado com o som, mas não teve coragem de reclamar. Dimios ia à frente, acertava alguns dopelgangers pelo caminho que explodiam em sua costumeira gosma branca.
            – Espere... Tem alguém por perto... – disse Ferus, fazendo Dimios ficar mais silencioso ainda. – São dois... Um está carregando o outro que está desacordado.
            – Devem ser Westem e Nerítico... O ultraquímico foi atacado e está mentalmente exausto...
            – Você acertou sobre o ultraquímico. – disse Dimios, já visualizando os dois.
            – Pilares! Por aqui! – voltou a gritar Ferus.
            – Não grite... Podem ser dopelgangers... – cochichou o arthuano.
            – Não! São eles! Tenho certeza! – o jovem castelar estava animado, mesmo com o cabelo naquela tonalidade avermelhada.
            – ... – Iksio ficou quieto.
            – Dimios, Ferus! Por aqui! Preciso de ajuda! – atrás do assaltante, alguns maquinários da legião parafuso estavam perseguindo-os.
            – Dimios, você dá conta? – perguntou o parceiro dele.
            – Veja...
            Livre das amarras da tensão nos nervos, o ziniano deslizou agilmente pelo caminho. As máquinas receberam a investida com tiros de pregos lançados as centenas em sua direção. Dimios bloqueou os pregos com um escudo de energia e lançou um ataque elétrico no primeiro maquinário que explodiu em milhares de pedaços. Com uma pulsação mágica, fez o chão tremer e dois maquinários baterem um no outro. Eles tentaram atacar o alvo que passava por eles e se acertaram mutuamente. Os três últimos receberam uma explosão sônica que os fez voarem contra os prédios. Com o trabalho terminado, o Senhor de Castelo retesou os dedos da Garra de Sartel liberando mais algumas fagulhas e voltou para o grupo:
            – ...? – o ziniano pegou os castelares brigando.
            – Esse não é o Pilares! – gritava Iksio.
            – Eu sou eu! Não vê a minha tatuagem fantasma?
            – Pois é... – completou Ferus, tomando o partido do assaltante. – Esse é o Pilares!
            – Não pode ser ele! Eu tenho absoluta certeza! Afaste-se de Nerítico dopelganger! – o multibiólogo apontava o dedo com veemência que brilhava magicamente. – Senão serei forçado a te incinerar!
            – O que vocês pensam que estão fazendo? – perguntou Dimios.
            – Eu não sou um dopelganger! – o teslarniano pegou uma das facas e apontou para o arthuano.
            – ABAIXEM AS SUAS ARMAS SENHORES DE CASTELO!!! – gritou Dimios que lançou uma onda sônica sobre os dois.
            Westem, que percebeu a briga, conseguiu se dirigir para lá o mais rápido possível, usando os prédios como atalho, pulando com vigor. O pouso dele deixou os Senhores de Castelo em silêncio por algum tempo, seu rosto estava sério, não dirigia o olhar a não ser para baixo. Da cintura ele tirou um pano manchado de sangue:
            – Iksio... Foi você?
            – ... – o arthuano nada respondeu.
            – De quem é isso? – perguntou Dimios.
            O bárbaro demorou em responder. Não conseguindo com a boca, levantou o dedo e apontou para Pilares.
            – O que acha disso agora... Ferus?! – perguntou Dimios com um grande problema para resolver. – Onde está aquele moleque?! – o jovem castelar não estava mais ali, irritando o ziniano profundamente.
            Enfim, vários dopelgangers começaram a surgir por todos os lados e, junto deles, dezenas de maquinários da legião parafuso. Eles estavam encurralados.
...