terça-feira, 15 de maio de 2012

Fanzine Crônicas dos Senhores de Castelo: Os Caçadores Sombrios


Pronunciamento dos líderes do grupo repressão
Informe do Multiverso



Começando transmissão...

–Voltamos com nossa transmissão extraordinária, especialmente para o horário político... Nah! Peguei vocês! Este é um momento muito especial onde o Informe do Multiverso vai falar diretamente com nossos heróis durante o grande almoço dos Senhores de Castelo! – O repórter se dirigiu aos famosos Senhores de Castelo e os cumprimentou. Tirou a luva direita primeiro para ser mais cordial ao apertar lhe a mão e ficou atônito por alguns instantes:
            –Algum problema, meu jovem? – Perguntou o Castelar de casaco verde, interessado em saber sobre o que faziam com aquele aparato todo.
            –Nunca mais vou lavar minha mão! – Olhou para ela como se houvesse encontrado a maior maravilha do multiverso.
            Thagir sorriu pra ele, surpreso com sua conduta e continuou:
            –Posso ajudá-lo em alguma coisa? – Kullat estava sentado ao lado, com um olho no prato e outro no amigo, sentindo algo estranho no ar.
            –Eu pertenço ao Informe do Multiverso. – Disse depois de contemplar um pouco mais a própria mão. – E gostaria que desse uma palavrinha antes do pronunciamento aos Senhores de Castelo espalhados pelo multiverso, com esta câmera, estamos ao vivo para as Ordens de diversos planetas.
            –Qual é o seu nome? – Perguntou olhando para ele e não para a câmera.
            –Meu nome... Meu nome é...
            –Esqueceu seu nome?
            –É... É Fentáziz, senhor!
            –Então Fentáziz Senhor... – Thagir virou-se para o outro lado e cobriu a cabeça com o casaco, virando-se de volta com várias gelatinas na boca. – Eu gostaria de dizer...
            –Hahaha! – Foi inevitável, vários aprendizes começaram a rir incessantemente com a imitação de uma bruxa velha e resmunguenta que todo mundo conhece da cantina.
            –...que se vocês garotos, não tomarem jeito. – Thagir apontava e balançava o dedo fazendo uma voz fina e irritante. – Eu vou jogar todos vocês pro verme boreal!
            –Por Khrommer, Thagir! – Se constrangeu Kullat. – Não acredito que você ainda faz isso!
            –Que é isso amigo? – Respondeu Thagir se colocando de volta ao normal. – Era uma das poucas coisas normais que podíamos fazer aqui na Academia, fora o treinamento árduo. Além disso, minhas filhas adoram a imitação da velha da cantina. Já que há tantos jovens hoje por aqui...
            –Também achei estranho, no nosso tempo não havia tantos jovens. No geral, os aprendizes sempre foram mais adultos e responsáveis...
            –Vai me dizer que se esqueceu dos velhos tempos, hein? – Thagir cutucou o amigo com o cotovelo; este ficou vermelho, perdido com os pensamentos.
            –Você não ouse comentar sobre aquilo!
            –Já faz tanto tempo... – Thagir ficara com ar nostálgico. – O que passou, passou...
            –Thagir...
            Quando todos pararam de rir, o repórter teve de voltar a falar para a câmera e encerrar a entrevista:
            –E estes foram os nossos heróis mais prestigiados...
            Passado algum tempo, as refeições já haviam sido tiradas e todos estavam satisfeitos. N’quamor iria começar o discurso de entrada:
            –Rhu’ia! Senhores de Castelo, aprendizes... – Dizia um homem velho, de roupão branco, cingido por um cordão também branco e que levava uma runa esverdeada no pescoço. – É com muito pesar que anuncio a vocês que pela primeira vez temos um oponente que quer enfrentar diretamente a Ordem dos Senhores de Castelo, sendo nós que sempre estivemos entre o inimigo e suas vítimas, zelando pela paz do multiverso. Mas, pela paz que garantimos a todos os mundos que já conhecemos, estamos reunindo um grupo de repressão que não tardará em impedir que os Caçadores Sombrios prossigam com suas atitudes irracionais. Que, por Nopporn, eles compreendam o nosso desejo de paz!
            O ancião voltou ao seu lugar, o próximo a falar era Thagir que se levantou com energia, pronto para discursar:
            –... – Um silêncio aterrador se fez presente no salão comunal, todos estavam olhando uns para os outros sem entender nada.
            De repente um rumor começou a se levantar em meio ao silêncio:
            –Huuunnnhuuunnnhuuunnnnhuuunnn... – E se repetiu, misteriosamente. – Huuunnnhuuunnnhuuunnnnhuuunnn...
            Mais uma vez o silêncio. Um barulho, um “clique”, se fez em frente ao púlpito. Todos olharam e viram alguém alto, em trajes finos e elegantes, de pele azulada e olhos negros de fundo vermelho, fechando o que deveria ser um relógio dourado de bolso depois de olhá-lo fixamente. Ninguém entendia porque não conseguiam falar, até a criatura que aparecera repentinamente quebrar o silêncio:
            –Que falta de educação! Deram uma festa e nem nos convidaram... – Todos continuavam estáticos, sem pronunciar fazer um único chiado. – Pois bem, ei de me anunciar. Sou Inok, o conde vampiro do planeta Morphit – não precisam se preocupar em procurar, ele não está nos registros. Venho aqui para lhes dizer que essa sua brincadeira de herói não irá funcionar conosco, sabemos de sua maior força e a evitaremos a todo custo, esperando o momento certo para atacar. Como também sabemos de suas fraquezas...
            Naquele momento, um par de chifres grandes e robustos começaram a surgir por detrás de Inok, revelando um ser demoníaco, de pele vermelha, cabeça de touro, peito humano, olhos grandes e fechados na ponta dos ombros, pernas peludas de bode e uma cara horrivelmente mal humorada. O estranho é que a criatura era muito maior que Inok, e estava escondida atrás dele:
            –Kabeza! Mostre a eles! – Disse Inok.
            O minotauro vermelho começou a inspirar e expirar, abriu os olhos dos ombros e emitiu uma ressonância maligna que parecia afetar a todos, menos o outro caçador:
            –Que seja feita a vontade do mestre! – Falou o vampiro que começou a correr tão rápido que parecia um borrão no meio do ar, tocando em alguns Senhores de Castelo recém formados pela Academia que sumiam logo em seguida. – Tudo no devido tempo!
            Voltando a posição inicial, o ser chamado Kabeza foi para trás de Inok e sumiu. O vampiro pegou novamente o relógio dourado e depois de abrir e fechá-lo, finalmente os Castelares foram liberados do estado de êxtase proporcionado pelo ser avermelhado. Quando olharam para o lugar onde o vampiro estava, havia sumido:
            –O que foi isso? – Se perguntou Thagir, não sabendo exatamente o que sentira, mas que se lembrava de ter sentido algo muito ruim.
            Ao contrário do que se poderia esperar, não houve tumulto, o efeito dos poderes de Kabeza eram persistentes, mesmo depois dele não estar mais presente. O conselho entrou em reunião repentinamente para tomar novas precauções, pois os caçadores haviam irrompido com as poderosas defesas da ilha de Ev’ve, não se sabendo como nem o porquê, e ainda por cima levaram mais Castelares...
            –Aqui foi Fentáziz, do Informe do Multiverso.

Transmissão encerrada...