segunda-feira, 30 de julho de 2012

Crônicas dos Senhores de Castelo: Fanzine - O Filho do Fim - Capítulo 02


Desembarque



            A nave boreal atravessou o portão dos mares boreais e chegou a um planeta que os Senhores de Castelo que estavam a bordo não conheciam. O céu era azulado, as matas eram verdes e os ecossistemas estavam todos harmônicos. Depois de meia hora, todos já estavam do lado de fora. Ferus descarregou sua bagagem, alguns suprimentos e ração de emergência que colocou num cinto de utilidades, e um tubo telescópico cheio de bugigangas que saiam por todos os lados quando ele apertava seus botões. O bárbaro Westem achou o aparato engraçado e foi conversar com o jovem castelar que apertou um botão para retrair os dispositivos e recolher a parte estendida do cilindro:
            – O que é isso garoto? – o sorriso do velho continuava amigável.
            – É um cilindro de armeiro. Um laboratório portátil que me possibilita fazer pesquisas, me conectar com outras máquinas e, é claro, produzir armas.
            – Legal o seu brinquedinho... – Ferus ficou um pouco envergonhado. Como ele poderia pensar que aquilo era um brinquedo?
            – Heh, fui eu que montei... Não tem muita tecnologia em Newho e como eu adoro esses apetrechos, os novos laboratórios da Ordem vieram a calhar perfeitamente. – Ferus retribuiu a atenção sorrindo de volta, o que deixou Westem muito feliz.
            – Quando a gente terminar esta missão, eu vou te levar pra conhecer um bar muito interessante no universo sessenta e nove... – Westem começou a cochichar. – Não conta pro Iksio, ele não gosta de promiscuidades ou seja lá como ele fala sobre sair com garotas bonitas e... Bem, aproveitar! Sabe do que eu estou falando, não?
            –... – Ferus ficou enrubescido com a proposta. – Cl... Claro!
            – Ótimo, você paga!
            – O quê?! – Ferus se assustou com a barganha repentina.
            – Você não espera que eu te mostre um lugar proibido no multiverso e ainda tenha que pagar, não é? – Westem cutucava o jovem castelar com o cotovelo.
            – Certo... Eu acho... – o armeiro ficou confuso. – Hun... Quem vai ler os objetivos da missão? De acordo com o regulamento das missões em grupo, alguém deve liderar e passar as informações para o resto do pessoal, estou certo?
            – É o Capitão que está com os pergaminhos secretos... Veja! Ele está vindo.
            Descendo a comporta, um Capitão baixinho curvado de pele verde com sinais de velhice avançada vinha acompanhado de sua comissária, a mapeadora boreal Elítia – uma moça humanóide de corpo muito esguio, pernas e braços muito longos, pele leitosa, rosto pouco expressivo de olhos miúdos, que andava lentamente ao seu lado, quase flutuando. O velho senhor tossia e resmungava muito, provavelmente por estar com alguma doença crônica. Elítia se abaixou e entregou ao Capitão um pergaminho que trazia numa caixa de vidro que se desmaterializou com o toque, liberando o conteúdo. Ele olhou o papel de um lado, olhou de outro, revirou e tresvirou. Com um pouco de impaciência e cuidado, Elítia sugeriu ao velho Capitão que usasse os óculos. O velho senhor recusou, não precisava deles:
            – O que está escrito, Capitão Sores? – Dimios, com seu ar de poucos amigos, se colocou a frente de todos.
            – Tome! – ele estendeu o pergaminho para o Senhor de Castelo. – Você é o líder!
            Ele virou-se de volta para a nave e subiu. Os outros cinco estranharam a atitude abrupta e queriam respostas:
            – O que está escrito? – indagou Nerítico, o ultraquímico.
            – Vamos, leia para nós! – exigiu Pilares, o assaltante.
            – ...! – Dimios olhou para eles com desprezo, o que aparentemente foi percebido por todos, acalmando os ânimos. – Nada...
            – Como nada?! – o bárbaro já estava perdendo a paciência. – Fomos mandados aqui para uma missão!
            – Sigam-me, ou voltem para a ilha... – Dimios enrolou o pergaminho e se pôs a correr, entrando na floresta densa sem mais explicações.
            – Esse daí não foi com a nossa cara... – Westem reclamava da atitude de Dimios, até reparar que Ferus estava se alongando. – O que você está fazendo?
            – Vamos apostar corrida? – o jovem estava animado.
            – Não sabemos aonde devemos ir... Ei! – Ferus não tardou em ir atrás de Dimios.
            – Eu é que não vou ficar aqui! – Pilares lançou uma bomba de fumaça no chão e desapareceu.
            – Você não vai ganhar de mim, seu canalha! – Nerítico apertou o bracelete que tinha no braço e duas pílulas caíram na sua mão. Ele as molhou com um pouco de água e uma substância amarela pastosa se expandiu. Ela foi colocada em suas botas e permitiu ao ultraquímico sair pulando dez metros de altura floresta adentro.
            – Só ficamos nós... Dois?! – o bárbaro tentava encontrar o parceiro de pele azul, sem encontrá-lo. – Que droga! Vocês não respeitam mais os mais velhos!
            Westem olhou para a floresta, tirou da cintura uma corda mágica que se expandiu e laçou um árvore alta de madeira bem flexível, envergando-a completamente. Saltou para cima dela e soltou a ponta que a prendia no chão, sendo lançado a uma grande distância:
            –Yahoo! Não esperem por mim, eu esperarei por vocês!

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