terça-feira, 2 de julho de 2013

Crônicas dos Senhores de Castelo: Fanfiction - A Guerra Cósmica - Capítulo 04


TESLAR

 

            Após a passagem pelo portal, a nave boreal atracou numa praia próxima. Os Senhores de Castelo e o Caçador Sombrio desembarcaram, levando consigo a sua bagagem. O casaco de Elians, absorvendo energia solar, tomou tons de bege para aliviar o calor. A moça, por sua vez, tirou a jaqueta, evidenciando seu belos atributos. Contudo, Nina e Elians ficaram boquiabertos com o que Lacroh trouxera:
 
            — Isso é seu? — perguntou Elians.
 
            — Que linda! — exclamou Nina.
 
            Lacroh acelerou sua belezinha, verificando se os motores estavam em ordem:
 
            — Claro que é minha. De quem mais seria? — respondeu, colocando os óculos de proteção que trazia no alto da cabeça em seu devido lugar.
 

            Ele desceu de sua moto nova e verificou o motor elétrico blindado contra possíveis infiltrações como areia ou líquidos, abastecido por baterias internas ligadas a cristais receptores de energia solar nas laterais que as carregam automaticamente, movimentando os propulsores por até doze horas com aceleração contínua de duzentos quilômetros por hora. Isso sem contar no implemento de injeção de força que dobra a velocidade da máquina em casos de necessidade. Com estofamento de couro, pneus capazes de andar tanto em pistas macias quanto nas duras e rastreadores que auxiliam na pouca visão do seu motorista, a Gamax III é o veículo perfeito para Lacroh.
 
            — Escuta só o som dessa garota!
 
            — Não estou ouvindo nada — Elians estava confuso.
 
            — Eu sou um caçador, a minha moto tem que ser invisível em todos os sentidos — respondeu sorrindo, montando novamente na moto para ativar a invisibilidade.
 
            — Nossa! Até isso ela faz? — perguntou Nina, entusiasmada.
 
            — E muito mais! — Lacroh voltou a ser visível. — Espero que ela dure o suficiente...
 
            — O que você quis dizer com isso? Você já perdeu quantas? — perguntou Elians, curioso.
 
            — Quantas as que foram necessárias. Por sorte meu pai me deixa sempre ter uma nova desde que eu cumpra com as minhas missões como caçador.
 
            — Por falar nisso, como está seu pai? Nem me lembrei de perguntar por ele.
 
            — Se me lembro bem — Lacroh tirou os óculos. — A última coisa que ele disse foi que iria para a base dos Caçadores Sombrios. Eles estão muito ocupados reforçando as linhas de frente e possíveis necessidades dos Senhores de Castelo. Tem sido difícil tanto para os castelares quanto para os caçadores...
 
            Nina ouvia aquilo e ignorou tudo. O que ela queria mesmo naquele momento era experimentar aquele veículo exótico, saltando na garupa sem ser convidada:
 
            — Essa Gamax tem capacete? — a Senhora de Castelo sabia o que estava fazendo.
 
            — Tem... Por quê? Quer viajar abraçadinha comigo? — gracejou Lacroh com animação.
 
            — Cale a boca e dirija! Quero saber como é andar nisso...
 
            — Olha! Mais respeito com a minha Gamax! Ela fica magoada quando a tratam como objeto — o veículo piscou os faróis sozinho.
 
            — Essa moto tem sistema de inteligência artificial? — inquiriu Elians.
 
            — Claro! — Lacroh sorriu e ligou novamente a sua máquina. — Vamos Nina?
 
            — Está esperando o quê? Acelera logo!
 
            Dando uma volta para ficar com a moto na direção do deserto, Lacroh deu seu último recado antes de começar a viagem:
 
            — Eu vou na frente. Vou mostrar pra Nina que não se brinca com uma Gamax III! — Nina sorria enquanto via os capacetes sendo colocados magneticamente em suas cabeças, peça por peça. A moto e a roupa dos dois ficaram beges, se camuflando na areia. — Não vou ficar muito distante, por isso trate de nos alcançar... E cuidado com os vermes da areia!
 
            Numa empinada, a moto sumiu nas duas de areia.
 
            — Aqueles dois... — Elians se viu sozinho com os outros três. — Bem... Rapaziada! Temos que ir, é uma longa jornada até o templo dos Homens Puros!
 
            Eles conversavam entre si e encararam Elians por alguns segundos. Foi Mundergrand que quebrou o silêncio:
 
            — Elians... Perdoe-nos... Nós não saber o que viemos fazer...
 
            — Droga... A Nina não explicou direito?
 
            Foi a vez de Sêminus falar:
 
            — Ela nos disse que viríamos para Teslar pois fomos convocados para dar apoio à elite e não disse mais nada...
 
            Elians agiu de forma incauta e sentiu que deveria se retratar aos companheiros:
 
            — Me desculpem, por favor! — ele se inclinou para frente, demonstrando subordinação ao grupo e que eles eram mais importantes que a missão. — Peço perdão a todos, eu deveria ter feito isso antes. No meio dessa guerra, acabei recebendo grandes responsabilidades e me sinto no dever de lhes explicar tudo.
 
            — Heheh... Não seja tão formal Elians! – riu Corinto. – Nós entendemos... Mundergrand não está em sua primeira missão e Sêminus já é experiente nisso. Não é gente?
 
            — De fato... – disse o jiguniano com sua voz agudíssima, sentado no ombro de Mundergrand. — Tenho larga experiência em missões, principalmente por ser um Senhor de Castelo megafísico de apoio muito eficiente.
 
            — Li as fichas de cada um... Já são dez anos de missões?
 
            — Correto, Elians... — ele fez silêncio, não conseguia falar direito. — Desculpe estou com problemas no meu aparelho de voz.
 
            — É por causa do seu irmão?
 
            — ... — Sêminus ficou calado, com olhar sério.
 
            — Meus pêsames — e virou-se para o giganto. — E você Mundergrand, ser o mais baixinho?
 
            O companheiro sorriu:
 
            — Eu ter valor, muito valor! — algumas de suas lembranças ruins vieram à tona. — Minha família considerar qualquer um com menos de quinze metros inferior. Meus irmãos ter mais de vinte metros! — apesar de triste, Mundergrand procurava transparecer sua alegria. — Mas só eu ser Senhor de Castelo!
 
            — Sempre estaremos unidos por isso meu amigo! — por fim, Elians olhou para o metamorfo. — Só falta você e poderei finalmente dar as instruções.
 
            Corinto colocou as mãos atrás da cabeça:
 
            — Eu sou um metamorfo, apesar de ter habilidades não muito desenvolvidas, posso me transformar em qualquer animal que eu conheça e tenha convivido. Conheço animais do mar, do céu, do solo e abaixo da terra. Um dia eu serei um multibiólogo e vou ajudar a conscientizar meu planeta natal a cuidar da fauna e da flora. Esta é minha primeira missão e ela será a melhor de todas!
 
            Elians sorriu, estava contente por não ter errado com suas escolhas:
 
            — Bem... Dois de vocês já conhecem a Senhora de Castelo do grupo, ela se chama Nina e possui poderes sombrios. Ela compartilha o corpo com uma sombra viva que lhe permite entrar na zona das sombras. Sua força é descomunal e acredito que ela desenvolva grandes habilidades no futuro. — Corinto e Mundergrand se entreolharam, a imagem de Nina em suas cabeças era muito mais do que aquilo. — E o outro que está de moto e tem olhos cor de coral se chama Lacroh, ele é um Caçador Sombrio...
 
            — Ah! Por isso eu não vi a tatuagem fantasma, já estava pensando que eu havia ficado maluco! — interrompeu Corinto, pretendendo parecer inteligente e fazendo pose.
 
            — Sim — Elians riu. — A marca fantasma dele é diferente e você precisaria ser um caçador ou conhecer os hábitos deles para descobrir como vê-la. Além disso, ele é um lutador e tem a habilidade de prever o futuro, o que pode nos ser útil durante a missão.
 
            — E você? Por que nos convocou? — indagou Sêminus, desconfiado.
 
            — Sou do planeta Curanaã e príncipe do reino de Newho...
 
            — Você é o príncipe Dantir?! — gritou Corinto. — Cara! Eu sou seu fã!
 
            — ...! — Elians ficou sem reação, permanecendo impassível.
 
            — O que aconteceu com você? Porque mudou de nome? E a cor do cabelo? — eram muitas perguntas.
 
            — Por hora, basta saber que é assim que eu quero ser... Tenho motivos para ser chamado de Elians — ele fez uma pausa. — A missão que recebi diz respeito ao arquétipo de Teslar. Ele foi convocado a comparecer as linhas de frente e a missão foi diretamente dada pelo Daimio a Lacroh, Nina e eu para que façamos a guarda do indivíduo em segurança até o objetivo. Vocês são o nosso apoio. A Irmandade Cósmica está vindo para Teslar e logo avistaremos uma de suas grandes naves anunciando o combate pelo planeta.
 
            — Estamos participando da guerra?!
 
            — Indiretamente, sim.
 
            — Pelos deuses...
 
            — Não precisa se preocupar Corinto — Elians sorriu para ele, colocando a mão em seu ombro. — Eu prometo que vou proteger cada um de vocês!
 
            Ao longe Lacroh retornou montado em sua moto:
 
            — Vocês não vão vir?! — gritou ele.
 
            — Nós já vamos!!! — gritou Elians de volta.
 
            — Ele precisa relaxar... — disse ele, sendo ouvido somente por Nina.
 
            — Estamos em uma missão, lembra? Sempre vai ter situações em que ele tem que cuidar de outras responsabilidades — ponderou a moça. — Dantir gosta de cuidar das pessoas próximas a ele.
 
            — Se você diz... — e acelerou a Gamax.
 
            A nave boreal soou o seu apito e recuou pelo mar, partiria na mesma hora de volta a ilha de Ev’ve. Elians já tinha um plano em mente para atravessar o deserto e tratou de pô-lo em prática:
 
            — Mundergrand! Agora é com você meu amigo!
 
            — Eu poder? — é recomendado aos gigantos a não fazer isso em planetas que desconhecem a variedade de raças do multiverso.
 
            — Nós vamos por uma caminho direto e não visitaremos as cidades de Teslar. Em todo caso, se houver algum problema, você voltara ao tamanho original. Certo?
 
            — Eu confiar em Elians! — Mundergrand colocou as duas mãos no cinto e Sêminus desceu de seu ombro.
 
            O Giganto brilhava, envolto em maru que parecia evaporar de seu corpo. Em pouco tempo o homem com dois metros crescia e passou a ter o seu tamanho normal, cerca de dez metros de altura. Seu braço gigantesco desceu até o chão, permitindo aos outros três subirem, sendo colocados nos ombros de Mundergrand.
 
            — Você cuida da caixa de mantimentos... — disse Sêminus a Elians, que pôs a caixa em sua costas como uma mochila. — E você Corinto com a caixa de experimentos — o metamorfo fez o mesmo que o primeiro, recebendo o jiguniano no ombro.
 
            Elians ficou no ombro direito e Corinto no ombro esquerdo do Giganto:
 
            — Sêminus, por que você não tem um cinto como o do Mundergrand?
 
            O homenzinho abaixou o tom de voz do aparelho:
 
— Eu não sou louco...
 
No outro ombro:
 
— Podemos ir Munder! – disse Elians.
 
Com tudo pronto, a longa caminhada começou.

 

...

 

            Mais a frente:
            — Que calor! — reclamou Corinto. — Quando vai anoitecer? Já se passaram horas e nada do sol baixar!
 
            — Você não conhece Teslar, não é mesmo? — perguntou Sêminus, amigavelmente.
 
            — Erh... Bem, não tirei boas notas em conhecimentos do multiverso, se é o quer dizer...
 
            — Teslar é repleto de desertos porque possui uma inclinação incomum. Os pólos permanecem no escuro e sob o claro do sol durante meses ininterruptamente. Em poucas palavras, não vai anoitecer antes que chegue a entre estação e enfim a noite chegue, durando o mesmo tempo deste dia interminável, por assim dizer.
 
            — Você só conseguiu fazer com que eu sinta mais calor... – retrucou o metamorfo. — Tenho uma ideia. Mas vou ter que deixar a sua caixa aqui.
 
            O jiguniano ficou curioso, ajustou o aparelho de voz e falou com Mundergrand:
 
            — Poderia trazer a palma até aqui amigo? — sem dizer nada, o giganto obedeceu. — Segure a minha caixa de experimentos por alguns minutos sim? Não a destrua, por favor!
 
            Corinto desceu a caixa até a palma de Mundergrand, ele assentiu com o combinado movendo a cabeça e Sêminus continuou, depois de reajustar o tom de voz:
 
            — O que você vai fazer?
 
            — Você gosta de voar?
 
            — Não muito, jigunianos não gostam de serem subitamente levados por predadores maiores — Sêminus tremeu de medo.
 
            — Espere só um minuto... — Corinto acionou um fecho circular na frente de sua roupa que recolheu a parte externa, deixando-o apenas com a roupa de batalha, e se concentrou. — Pense em pássaros, pense em pássaros, pense em pássaros...
 
            A forma do metamorfo começou a mudar, assumindo as feições completas de uma ave de rapina de plumagem completamente branca, bico curvo e negro, olhos amendoados e garras afiadas, com longas e poderosas asas. A roupa de batalha, sendo preparada para ele, acompanhou a mudança sumindo no meio do corpo. Corinto agora era perfeitamente uma ave, não fosse apenas aquele fecho que permanecia ainda visível.
 
            — Sob, crack! Vai ser legal! Crack! – e se abaixou para que o jiguniano pudesse subir.
 
            — Interessante... Eu devo ser o primeiro homem de vinte centímetros que vai voar sem ter que domesticar o inimigo! — com algum cuidado, Sêminus foi subindo. Atrás do pescoço de Corinto, as correias que prendem o fecho ao corpo serviram maravilhosamente bem como rédeas.
 
            — Pronto? Crack!
 
            — Sim! — Sêminus se segurava fortemente.
 
            — Lá vou eu! — ele correu para a ponta do ombro e num rasante que durou poucos segundos Corinto e Sêminus estavam voando pelos desertos de Teslar, sentindo a brisa soprar.
 
            — Uou! Que divertiiii... ido! — berrou Sêminus, rindo de si mesmo.
 
            Elians ficou feliz em ver eles assim, relaxou um pouco, sentou-se ali no ombro do gigante e estendeu as pernas. Tudo estava calmo, por enquanto...
 

...